ID_000691
- Título próprio
- Coisas à toa
- Autor/Criador
- BORDALO PINHEIRO, Rafael
- Suporte
- Papel
- Data de criação
- 22 de janeiro de 1876
- Técnica
- Litografia
- Lugar de criação
- Rio de Janeiro
- Localização actual
- Hemeroteca Digital - Biblioteca Nacional do Brasil
- Descrição
- Caricatura de duas páginas, com o título “Coisas à toa”, publicada no periódico O Mosquito (Rio de Janeiro/Brasil), onde Rafael Bordalo Pinheiro apresenta a si próprio realizando uma busca por assuntos que lhe desse inspiração para criar uma nova caricatura. Ao longo dessa busca, o autor aborda, sobretudo, assuntos referentes à política e à economia do Brasil Império que estavam em pauta naquele momento. Em meio a esses assuntos Bordalo dá uma ênfase especial a um grupo de “mulheres elegantes” – tópico, aliás, recorrente nas caricaturas produzidas por ele no Brasil. Essa caricatura aborda também assuntos relativos à cultura, destacando-se uma “reunião do grêmio literário na Confeitaria dos Castelões” – um local onde intelectuais, artistas e políticos se encontravam com frequência, na cidade do Rio de Janeiro, durante a segunda metade do século XIX – apresentado, ainda, uma imagem da “sociedade elegante que espasma seus ouvidos” ao se preparar para ouvir a Missa Réquiem de Verdi, que seria interpretada naquela ocasião por Arthur Napoleão (1843-1925) – pianista, compositor, professor e empresário luso-brasileiro, que mudou-se para o Brasil em 1866. No que se refere à música, além dessa menção direta ao Verdi, Bordalo faz uma alusão a um sujeito que ainda não foi possível identificar se era real ou fictício, denominado “D. Juan do Catete”. Este personagem é apresentado logo após um quadro onde afirma-se que a política brasileira continuava sem mudanças, sabendo-se que o período é marcado por algumas reformas políticas. Assim, na sequência ele aparece vestido como um trovador, tocando um instrumento semelhante a um alaúde que, segundo a legenda, continuava “cantando suaves endeixas na janela das eleições”, as quais estão representadas por uma personagem feminina que se deixava encantar por aquele personagem e sua música. Há ainda uma terceira referência à música. Explicitamente à margem desse conjunto e fora do espaço ocupado pela narrativa central e ao largo dos principais fatos políticos, econômico e culturais referidos na caricatura, apresenta-se um personagem-tipo representado pela figura de um homem negro de cartola, calça e fraque brancos bem largos, tangendo um instrumento semelhante a uma guitarra – registrando-se a presença da música e de músicos populares urbanos, de origem negra que, mesmo de maneira marginal, são de alguma forma apresentados como parte do cenário musical da capital da Brasil Império.
- Instrumento(s)
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- URL externa Imagem
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- Bibliografia
- Abreu, Martha. Da senzala ao palco - Canções escravas e racismo nas Américas, 1870-1930. São Paulo: Editora da Unicamp, 2017 (e-pub).
Brito, Rômulo de Jesus Faria. Um traço sobre o Atlântico: o Brasil na obra caricatural de Rafael Bordalo Pinheiro (1870-1905). Tese de doutorado. Programa de Pós-graduação em História, PUC-RS, 2017.
Garcia, Gilberto Vieira. Da “cordofonia capadócia” ao “Beethoven Brasileiro” – um ensaio sobre o negro na iconografia musical de Rafael Bordalo Pinheiro (1875-1878) (no prelo)
- Pessoas/Entidades
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- Observações
- Musico popular Negro no contexto do Segundo Reinado, Brasil Império
- Observações instrumentos
- Presença de um instrumento parecido com um alaúde e outro parecido com uma guitarra